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Autocarregável x caminhão betoneira: qual faz sentido na sua obra

Por [Nome do RT ou autor], engenheiro(a) civil · [data de publicação] · 7 min de leitura

Betoneira autocarregável de perfil, com tambor inclinado e caçamba erguida, ao lado de monte de areia
O autocarregável tem caçamba, balança, tambor e tanque de água na mesma máquina.
Resumo. O caminhão betoneira transporta concreto feito na central; o autocarregável produz o concreto na obra. Até 30 ou 40 km da usina, o caminhão costuma ganhar. Longe disso, ou em obra com várias etapas, o autocarregável ganha. Os dois aceitam bomba e controle tecnológico.

As duas máquinas têm um tambor girando, e muita gente chama as duas de "betoneira". Mas fazem trabalhos diferentes. Uma transporta concreto que outra pessoa fez; a outra faz o concreto. Escolher a errada custa frete, hora parada ou fck.

O que o caminhão betoneira faz

O caminhão betoneira transporta concreto produzido em central dosadora, a usina. Esse concreto é o que a NBR 7212 chama de concreto usinado: dosado na central, com balança e controle da própria usina, e carregado no caminhão, cujo tambor só mantém a mistura em movimento até a obra. O caminhão não produz concreto; ele carrega. Capacidade típica de 8 m³ por viagem.

Como o concreto tem prazo entre a adição de água e a descarga, o caminhão betoneira depende da distância até a usina. Na prática, o raio econômico fica entre 30 e 40 km. Acima disso, o frete pesa e o abatimento cai antes de chegar.

O que o autocarregável faz

A betoneira autocarregável carrega areia e brita com a própria caçamba hidráulica, pesa cada insumo na balança eletrônica, mistura com a água medida do tanque de bordo, transporta dentro da obra e descarrega na peça ou na bomba. Cada batelada tem de 2,5 a 4 m³ (valor típico da categoria). Em geral tem tração nas quatro rodas e entra em canteiro de terra.

O concreto do autocarregável é dosado na obra. Não é concreto de central, e a gente não chama de outra coisa. Mas o controle tecnológico é o mesmo que a NBR 12655 exige de qualquer concreto estrutural: pesagem por insumo com registro por betonada, ensaio de abatimento, corpos de prova moldados na obra e laudo de rompimento aos 7 e 28 dias.

Comparativo

Comparativo por critério: caminhão betoneira (concreto de central) e autocarregável (concreto dosado na obra)
CritérioCaminhão betoneira (concreto de central)Autocarregável (concreto dosado na obra)
Onde o concreto é feitoNa centralNa obra
Distância viável30 a 40 km da usinaOnde a prancha chega
Volume por cicloCerca de 8 m³ por viagem2,5 a 4 m³ por batelada, em ciclos contínuos
RitmoAlto, se a usina tiver caminhões disponíveis15 a 40 m³ por dia por máquina (típico da categoria, conforme a obra)
Controle do traçoBalança da centralBalança da máquina, registro por betonada
Ensaios na obraAbatimento e corpos de provaAbatimento e corpos de prova
InsumosDa usinaDo cliente (locação) ou do fornecedor do concreto (venda por m³)
Custo de deslocamentoFrete por viagem; cresce com a distânciaMobilização única por concretagem ou por período
DependênciaAgenda e raio da usinaAgenda do equipamento e insumos na obra
TerrenoPrecisa de acesso para caminhão pesadoTração 4x4 (típico da categoria), circula em canteiro de terra
Melhor paraObra urbana, volume grande e contínuoObra remota, várias etapas, frente que se move

Quando o caminhão betoneira ganha

  • A obra está a menos de 30 ou 40 km de uma usina com caminhão disponível.
  • O volume é grande e contínuo: 60, 80, 100 m³ num dia, com vários caminhões em fila.
  • O concreto é especial (autoadensável, alta resistência, com aditivos específicos) e a central já tem o traço validado.
  • Não há espaço na obra para monte de areia e brita.

Se esse for o seu caso, a gente diz. Podemos entrar só com a bomba estacionária, recebendo o concreto da usina na moega.

Quando o autocarregável ganha

  • A usina está longe ou não entra na estrada.
  • A obra tem várias concretagens pequenas ao longo de semanas: fundações de um conjunto de casas, meio-fio de loteamento, blocos de tracker em parque solar. A máquina fica na obra e concreta quando a forma libera, sem frete a cada etapa.
  • A frente de serviço se move: usina solar, linha de transmissão, pavimentação.
  • Você precisa de rastreabilidade por betonada para a fiscalização.
  • O acesso é ruim: barro, porteira estreita, ponte de madeira.

E a bomba?

Trabalha com os dois. A bomba estacionária recebe o concreto na moega, seja do caminhão betoneira, seja do autocarregável, e lança pela tubulação até a peça. Em laje alta ou fundação distante do acesso, ela entra em qualquer dos cenários. Volume mínimo de 15 m³ por bombeamento.

O erro mais comum

Alugar um autocarregável sem operador e sem traço definido. A balança só garante o fck se quem opera conhece o traço, corrige a umidade da areia e registra cada betonada. Máquina alugada "seca", operada por servente, produz concreto tão incerto quanto a betoneira de 400 litros. Por isso não locamos sem operador.

O segundo erro é de vocabulário: chamar o concreto do autocarregável de concreto de usina. Não é. Se alguém vender assim, peça a nota da central. O que garante o fck não é o nome; é o laudo.

Como decidir em três perguntas

  1. A que distância está a usina mais próxima? Menos de 30 km: peça cotação da usina e compare. Mais de 40 km: autocarregável.
  2. Quanto concreto, e distribuído como no tempo? Tudo num dia: concreto por m³ com bomba. Várias etapas em semanas: locação com operador.
  3. Precisa de laudo? Nos dois casos dá para ter. Exija.

Mande a cidade, o volume e como ele se distribui. A gente responde qual formato faz sentido, mesmo que a resposta seja "chame a usina".

Tem uma obra assim? Manda cidade, peça e volume.

Os 6 dados que aceleram seu orçamento

  1. Cidade da obra Cidade/UF, ou um ponto no mapa. É o que define a mobilização.
  2. Volume em m³ Se não souber, use a calculadora. Mínimo de 8 m³ com autocarregável e 15 m³ com bomba.
  3. fck de projeto Está no projeto estrutural (ex.: fck 25 MPa). Sem projeto, diga a peça e a gente orienta.
  4. Data prevista Dia ou semana. A agenda só é firmada com o sinal.
  5. Tipo de peça Laje, piso, sapata, estaca, viga baldrame, bloco, meio-fio, base de silo.
  6. Água e acesso para caminhão Tem água no local? O caminhão chega até a peça? Sem isso entra hora parada na conta.

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